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Os rebeldes ousaram chegar às 8h da manhã. “Eles não têm para quê ter medo”, diz Atara. Não precisaram nem invadir a cabana. Estavam todos do lado de fora. Atara, agachada no quintal, descascava mandioca para o almoço. Levantou-se depressa quando viu eles chegarem. Só levantou. Ao projetar o primeiro passo para longe, bateram com a arma em seu quadril. Ajoelhada no chão, um rebelde gritava em seu ouvido: “O que você ouviu? Você recebeu eles aqui! Eu sei que você ouviu! Fala o que você sabe!”. E como Atara de nada sabia, bateram de novo em seu quadril, chutaram suas costas, os joelhos, e com uma faca cortaram as duas orelhas. Atara desmaiou.

Acordou em sua cabana com um curandeiro banhando em ervas seu rosto. O filho mais novo chorava em cima do mais velho, distendido no chão, sem vida.

 

Atara perdeu um filho e parte da audição. Nunca recebeu atendimento médico, além de comprimido para dor e muita, muita erva. Nunca mais caminhou da mesma maneira. Sente dor nas costas todos os dias. E a culpa não é só da velhice, mas ela prefere acreditar que sim. Zelar pelo rancor não é a melhor maneira de seguir em frente. “Não sei nem o que pensar de Kony. Só agradeço porque ele não vem mais aqui”, diz ela.

Atara

Kony está na lista dos 10 criminosos mais procurados do mundo pela Corte Penal Internacional não é à toa. Sua guerrilha é dividida em grupos e espalhou-se por Uganda, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro-Africana. Nascido em um vilarejo próximo à cidade de Gulu, no norte de Uganda, também é um acholi. Ele afirma receber “ordens do Senhor” para atacar. Conta-se que, antes de ir para qualquer batalha, Kony faz o sinal da cruz no peito e na metra- lhadora. Ele lutaria para defender seu povo.

Mas algo deu errado, os acholi não concordaram com a luta armada e Kony sustenta que, por isso, tem o “legitimidade divino” de lutar contra seu próprio povo para alcançar seu objetivo, já que eles não respeitaram a vontade do Senhor.

Kony transformou a cidade de Gulu. Lá, não há quem não faça cara de agonia quando ouve seu nome. Essa foi a região mais atingida. Milhares de pessoas foram

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